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16.06.26

Uma nova forma de construir em madeira

A garagem de barcos do Brisas de Avaré mostra a força de uma nova forma de construir em madeira.

No Brisas Avaré, condomínio residencial da incorporadora Munir Abbud às margens da Represa de Jurumirim, a madeira engenheirada aparece em espaços específicos das áreas comuns. Mas é na garagem de barcos que a participação da ITA Engenharia em Madeira ganha seu ponto mais emblemático.

Com arquitetura do aflalo/gasperini e engenharia da Zait, o empreendimento reúne áreas voltadas ao lazer, à convivência e à relação direta com a água. Dentro desse conjunto, a garagem de barcos apresentou um desafio técnico claro: criar uma cobertura de grande vão, leve, eficiente e coerente com a linguagem em madeira do projeto.

A solução mais imediata seria recorrer ao aço. Também seria possível pensar em uma treliça tradicional em madeira. Mas esse caminho traria um problema conhecido para estruturas desse porte: muitos nós, muitas ligações e maior uso de peças metálicas.

 

A ITA segiu por outra lógica.

A partir de um vão de 20 metros, a equipe desenvolveu uma viga lenticular fletida em madeira laminada colada de eucalipto. A inovação está no processo: em vez de fabricar uma viga curva desde o início, a solução parte de peças retas, mais simples de produzir e usinar, que ganham curvatura durante a montagem.

Essa decisão responde a uma condição prática da própria indústria. As máquinas CNC utilizadas no processo trabalham com vigas retas. Ao transformar a curvatura em etapa de montagem, a ITA conseguiu criar uma estrutura curva com maior racionalidade produtiva, menor complexidade industrial e custo mais competitivo.

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A forma final da viga não foi definida por tentativa e erro. A equipe desenvolveu um processo de cálculo computacional em ambiente paramétrico, no qual altura, seção das peças e subdivisões da estrutura passaram a ser variáveis. Com o apoio de algoritmos, diferentes arranjos foram avaliados até chegar à combinação mais eficiente entre desempenho, consumo de material e viabilidade de fabricação.

O resultado é uma cobertura em que a geometria trabalha a favor da estrutura. A viga lenticular fletida permite vencer grandes vãos com menor volume de madeira e uso mínimo de aço, concentrado principalmente nos parafusos. Segundo a ITA, o sistema reduziu em cerca de 50% o consumo de madeira em relação a uma solução convencional para um vão semelhante.

O desenvolvimento também exigiu um protótipo em escala real. Antes da produção dos hangares, a equipe fabricou e montou a primeira peça para comparar o comportamento físico da estrutura com o modelo computacional. A proximidade entre o resultado previsto e o obtido confirmou a precisão do sistema de cálculo e permitiu avançar para a execução.

No Brisas Avaré, a ITA foi responsável pelo cálculo estrutural, detalhamento, fabricação, fornecimento e montagem das estruturas em MLC de eucalipto em espaços específicos do condomínio. Na garagem de barcos, esse escopo se transformou em pesquisa aplicada: uma solução pensada ao mesmo tempo para desempenho estrutural, fabricação, transporte e montagem.

O projeto também deu origem ao documentário A Força da Forma, produzido pela ITA, que registra o desenvolvimento da viga lenticular fletida e aprofunda a discussão sobre inovação em madeira engenheirada no Brasil.

A garagem de barcos do Brisas Avaré mostra como a madeira pode avançar na construção brasileira quando projeto, engenharia e indústria trabalham de forma integrada. A inovação está no excesso de complexidade e na busca por uma solução mais precisa, mais leve e mais inteligente para construir melhor.

Assista ao documentário A Força da Forma e conheça o desenvolvimento da viga lenticular fletida em madeira.